Vou explicar o que eu penso com a minhas palavras: pra mim, as religiões servem pra lançar ideais. Ideais morais, invariavelmente.

Vejo que todo os seres humanos tem necessidade de idealizar alguma coisa. Alguns fogem pra idealização de um Deus católico, por exemplo, perfeito, onipotente, bla bla blá. Outros nem tanto – uma menina de 13 anos pode ser católica e idealizar um artista. Um jovem pode ser budista e idealizar o Cristiano Ronaldo. Uma pessoa pode se dizer atéia e idealizar o dinheiro, ou um relacionamento, ou idealizar a si mesmo.

Além de idealizar, todos temos valores morais. Todos temos uma própria definição do que é “fazer o bem”, e isso está intrinsecamente ligado à moral da sociedade que nos cerca. Para muitos americanos, a “Guerra ao Terror” era válida. Antes, para muitos alemães, o nazismo era válido. Diversas pessoas votavam e compravam aquele discurso achando que estavam fazendo o certo. Para quem era de fora, era mais óbvio o absurdo que se passava. Isso por que quem está “de fora” tem valores morais diferentes, portanto, tem “bases de julgamento” diferentes.

E então retomo o que eu disse: as religiões servem para lançar ideais morais.

É praticamente impossível amar ao próximo como a si mesmo, como dizem os católicos. E também o é para os budistas, que pregam “combater o ódio com amor”. Mas ter esses ideais morais circundando o inconsciente de toda uma sociedade é obviamente necessário, pois se não “Guerras ao Terror” se tornariam muito mais recorrentes. É importante que as crianças saibam que você deve ser legal com o próximo e que matar é errado.

O problema é que existem os ignorantes.

Acreditar que a sua própria religião é melhor do que a dos demais é, claramente, um ato de ignorância. O próprio conceito de “crença” denota incerteza. Quem crê não sabe, acha. E somos todos ignorantes em determinados momentos, pois simplesmente por crermos em algo já admitimos pra nós mesmos que aquela é a melhor teoria.

Somos todos ignorantes eventualmente. É uma situação que nos ocorre instintivamente.

Mas quando você lança um avião no World Trade Center você levou essa ignorância a um extremo, da mesma forma que uma pessoa que consegue respeitar as demais religiões está no outro extremo. Cabe aos seres humanos transitar entre esses pontos. Ignorância não é um conceito maniqueísta que propõe que ou se é ignorante, ou não se é. Todos são. Alguns mais, outros menos.

Eu tenho minhas religiões e minhas ignorãças. Constantemente me pego pensando que as minhas são melhores que as dos demais, e não há absolutamente nada de errado nisso. Afinal, não tento impor a minha – entendo as dos outros, apreendo o que deve ser apreendido, e construo minha própria religião. Por isso, tive criação católica e aprendi que não se deve matar ninguém, nem roubar, nem mentir, e que se deve ter amor pelo próximo, mas nunca me deixei levar pela igreja, bíblia, ou padres estrelas que vociferam ignorâncias para milhares de pessoas ensandecidas por algo em que acreditar. Entendo que, para islâmicos, a imagem da mulher deve ser preservada, e entendo que, para os protestantes norte-americanos, ser bem sucedido pode ser mais importante do que fazer o bem.

Entendo.
Aceito.
Convivo.

(Esse texto foi baseado em anos de leitura de Freud, Nietzsche, Jung e milhares de outros autores que eu leio por hobby. Poderia continuar dissertando e citando-os eternamente, mas vamos parar, por ora, por aqui.)

Muitas coisas aconteceram nesses dias. Poucas aconteceram de verdade, mas na minha cabeça um monte de coisa aconteceu.

Depois de oito anos, Oito. Anos., terminei de assistir How I Met Your Mother. Comecei a assisti-la em 2006, quando eu tinha nada mais do que 11 anos. Naquela época, era a minha série preferida, mesmo tendo apenas duas temporadas. O Ted pensava exatamente igual a mim! Eu também procurava a Menina Certa e queria pular todas as etapas pra ir direto ao comodismo de achar a pessoa perfeita pra mim.

Eu acreditava que ela existia. Que saudade daquele tempo!

Oito anos se passaram. A série terminou ano passado, mas eu não estava pronto pra assisti-la. Nunca passou pela minha cabeça não assisti-la, eu apenas esperava pelo momento certo. Isso acontece às vezes – baixo alguns discos e não os ouço, baixo filmes e não os vejo, acompanho séries e não as termino. Fico aguardando o momento certo. E ele sempre – sempre – chega.

Chegou o de HIMYM. E quando o Ted achou a Menina Certa, que é simplesmente


a criatura mais linda do universo

eu chorei. O que é muitíssimo difícil pra mim. A última vez que chorei foi aos 16 anos, no último dia de aula do ensino médio. Antes dessa, aos 13 anos, quando terminei meu primeiro namoro. Nunca lidei bem com términos. E parece que, de 3 em 3 anos, elas insistem em me perseguir.

Chorei pelo término da minha série favorita, que me acompanhou enquanto eu crescia. Quando assisti pela primeira vez, parecia uma realidade tão distante! E agora parece uma paródia da minha vida. Quando assisti pela primeira vez, eu me achava tão parecido com o Ted! E agora nenhum deles diz nada sobre mim. Quando assisti pela primeira vez, eu tinha absoluta pena do Ted. E agora eu tenho profunda inveja.

Nunca vou parar de assistir HIMYM.

Ela terminou hoje, mas recomeçará daqui a alguns meses quando eu já tiver esquecido o que acontece nas primeiras temporadas.

E assim a vida continuará. Eu, Ted, Marshal, Robin, Lily e, é claro, o melhor de todos, Bar – wait for it

NEY. BARNEY!

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Eu sei que HIMYM merecia um texto só pra ele. Mas até então dividi minhas férias em 3 etapas: assistir How I Met Your Mother, jogar League of Legends e ouvir essa cantora italiana ABSOLUTAMENTE MARAVILHOSA.

Só não é mais maravilhosa que Cristin Milioti, a mulher do Ted.

Aquele velho dilema – devo divulgar a música que é mais provável que todo mundo vá gostar ou devo divulgar a música que eu mais gosto? Vai saber.

É assustador como, independente do que se faça, alguns dias simplesmente são menos bons que outros. Não existe a menor chance de assegurarmos que um dia vai ser bom ou ruim.

Existem três tipos de dias ruins, 1) os que o universo faz tudo dar errado, 2) aqueles em que absolutamente tudo é menos feliz sem ter motivo algum, como se algum órgão produtor de serotonina entrasse em greve e 3) os em que acontece ambos os anteriores.

Não importa quantos escapismos, vícios ou distrações busquemos, eventualmente um dos três nos arrebatará.

Saber estar preparado para esses momentos é o importante. Sabendo, claro, que pra tristeza jamais estamos preparados.

Essa música foi escrita pelo meu atual (já há mais de um ano) artista favorito – Tiziano Ferro. Foi uma das canções mais tocadas na Itália, uma vez que deu a Michele Bravi a vitória no X Factor italiano. Junto a ela, a outra top das rádios se chama E Scopro Cosè La Felicitá, também do Tiziano, dessa vez dada a Elisa e considerada “a melhor música de 2013” pela mídia italiana.

O único raro momento em que Tiziano Ferro não esteve no topo de todas as paradas italianas desde seu primeiro sucesso, em 2001, foi quando decidiu doar suas canções para outros artistas – que se encarregaram de mantê-lo no topo.

Esse cara é um gênio.

L’estate che non passerà, si troverà una soluzione
la vita e la felicità
nessuna via, nessuna convinzione
e qui mi troverai
qualunque volta vorrai rivedermi
qui a sognare, se vorrai tornare, io rimango qua, qua
E qui a sognare, mi ritroverai sotto il tuo passare

The summer that won’t end, a solution will be found
life and happiness
no way, no conviction
and you’ll find me here
any time you want to see me again
here to dream, if you want to return, I’m staying here

And don’t be surprised by the mistakes, it’s okay to be afraid
and remember we were always here
if you wait for me, I’ll wait for you, and we will live again
to then forget all the pain with a ‘hello, my love, my love’

Tradução de “La vita e la felicità” por Michele Bravi de Italiano para Inglês

Eu queria te pedir desculpas, é isso. Não consigo parar de me pegar pensando, assim, esporadicamente, em você. Mas calma, calma!, não faça esse semblante de quem sequer lembrava da minha cara e não tem a menor paciência de me ouvir falar de amor, não é disso que eu vou falar. Eu sou aquilo que podemos chamar de uma pessoa racional, você sabe, quer dizer, não sabe não, e é justamente por isso que eu penso tanto em ti: por que tu me deslocou para essa modalidade de pensamento diferente, emotiva, irracional, idiota. Eu olho pro nosso relacionamento tentando entender o que deu errado e não tenho a menor dificuldade de tantas que são as razões! E todas elas, é verdade, foram dadas por mim. O que é que eu estava pensando? Nosso relacionamento foi a maior recaída de personalidade e autocontrole que eu já tive na vida! Me lembro daqueles dias e sinto a mais profunda e absoluta vergonha, e o mais peculiar de tudo é que eu nem gostava tanto assim de você, eu gostava da ideia de você, e isso, ah, isso sim era perfeito. Você era tudo que eu procurava: que gosto musical! Que sorriso! Que jeitinho! encaixava em todos os critérios, parecia até que era a inspiração dos critérios, e isso me afetou em proporções inenarráveis, mexeu comigo de tal forma que eu simplesmente não podia perder a chance de conquistar aquela menina que com tanta naturalidade encenava o papel de mulher dos meus sonhos. Freud diz isso, sabe, de se apaixonar mais pelo desejo do que pelo objeto desejado, e desculpa, mas no nosso romance freudiano tu foste o objeto não-tão-desejado-assim, e é por isso que eu penso em você, é por isso! Por que foi o que eu mais desejei, mais ansiei, e tinha tudo, absolutamente tudo pra ser minha, só que, nessa modalidade de pensamento irracional e emotiva que você – ou, melhor dizendo, a ideia de você – me deslocou, eu fui um exímio retardado, eu fiz de tudo pra afastar você sob a premissa de que tudo o que eu fazia era pra garantir que ia tê-la! Nosso relacionamento foi meu pior fracasso, o maior exemplo de vergonha do meu passado recente, e que fique claro, por favor, que tu não tem quase nada a ver com isso. Me refiro a um relacionamento que aconteceu somente na minha cabeça, cujo tempo tinha uma cadência mais lenta, e para o qual eu não desejo absolutamente nada além de que um dia eu possa acordar e não lembrar que ele existiu. E então te peço desculpas, na mais clara e absoluta conduta de quem repete os mesmos erros, pois te peço desculpas ciente de que tu não se importa, de que tu sequer lembrava do meu rosto até agora a pouco, mas peço-as para tentar dormir tranquilo sabendo que a imagem que eu tenho de ti está ciente de que eu não sou o que eu fui.

Não faz bem em humilhar-me, senhor – disse d’Artagnan, em quem a índole turbulenta começava a tomar ascendência sobre as resoluções pacíficas – Eu sou da Gasconha, não há dúvida, mas não terei necessidade de lhe lembrar que os gascões são pouco pacientes; de sorte que, depois de se desculparem uma vez, ainda que seja de uma tolice, ficam para logo convencidos de que fizeram metade a mais do que deviam fazer.

(Os Três Mosqueteiros, Alexandre Dumas pai, pág. 57, coleçao Grandes Clássicos de cada Autor)

Os alvos do mimimi

Eu estudo numa faculdade pública de comunicação. Isso faz com que eu passe muito tempo cercado de pessoas que são os potenciais grandes pensadores do futuro, mas também faz com que eu esteja cercado de completos idiotas que defecam pela boca como se ganhassem alguma coisa por isso.

Não sei, portanto, se os fenômenos que observo se delinearem no meu âmbito social são de toda uma geração, ou se são dessa seleta parcela de “intelectuais” que frequentam os corredores de um ensino superior concorrido.

Existe, no entanto, um fenômeno que creio ser geral – o que o torna ainda mais lamentável.

Eventualmente cria-se um ícone.

í·co·ne 
(francês icônedo grego eikón-ónos)

1. O que ou aquele que é referência, que se destaca.

Acontece que não é um ícone comum! Cria-se um ícone a ser odiado. Tudo que esse ícone disser ou escrever deve ser refutado com dedos em riste e textos de ódio no facebook. Toda e qualquer atitude desse ícone deve ser reprimida, ou pelo menos criticada. E, por fim, por mais que esse ícone consiga se redimir e passe a, de repente, só transmitir ao mundo ensinamentos transcendentais e corretos, ele nunca – NUNCA – poderá ser respeitado.

Danilo Gentili, Raquel Sheherazade, Lobão, Olavo de Carvalho, Pondé, VEJA, Jair Bolsonaro. Todos ícones. Pessoas e veículos que sabidamente falam merdas, mas cujos ditos são o menor problema que elas representam à sociedade.

Sabem aquela história da mulher que foi espancada? E se eu vos dissesse que já li 4 publicações no facebook acusando Raquel Sheherazade, com seu vídeo sobre os justiceiros, de ser a culpada pelo espancamento da mulher?

Agora eu vos pergunto: existe alguém que, no alto de sua cega ignorância, acredite que um grupo de pessoas espancarem uma dona de casa é resultado de um vídeo de 3 minutos?

Esse argumento se assemelha àquele que diz que crianças não devem assistir desenhos violentos pois isso as tornará assassinas em potencial. Com um único diferencial: até mesmo o argumento das crianças é mais plausível! Será que elas também argumentam que o cara jogou um vaso na cabeça do outro por causa dos Looney Tunes?

E aquela capa da VEJA com o Daniel Alves? Quantas pessoas não leram “o preconceito quebrou a cara – talvez pra sempre”, fizeram uma rápida associação com a temática do racismo e concluíram que a VEJA estava dizendo que o racismo acabou para sempre? Não foram poucas: vi 3 publicações no facebook, uma delas com 20 curtidas e dezenas de comentários concordando com essa interpretação.

A questão aqui é: as pessoas estão TÃO sedentas por disseminar seus textos denegrindo a imagem dos ícones, que sequer se dão ao trabalho de refletir realmente o que esses ícones dizem e representam. Elas querem TANTO postar um texto pseudo-politizado no facebook, que muitas vezes acabam dissertando as merdas mais incabíveis do universo apenas para participar da comoção que é postar um texto pseudo-politizado.

Pois, sim, gera uma comoção. É um movimento. Muita gente quer fazer aquela piada. Muita gente quer que os outros saibam que ela também sabe falar mal do ícone.

E existe ainda uma segunda questão: a liberdade de expressão não existe só pra você poder dizer o que você quer. Ela existe para outras pessoas com opiniões diferentes também dizerem. Então, se a VEJA é um veículo de direita e você é um comunistinha barbudo que a odeia, é preciso que, antes de qualquer coisa, você entenda que o que deve ser criticado não é A VEJA, mas o DISCURSO DELA, pois ela está apenas representando o papel dela de SER UM CONTRAPONTO. Não só de Cartas Capitais se faz um país!

As grandes ideias surgem da discussão de ideias diferentes – o nome disso é dialética. Pregar pelo fim da Veja, ou do Bolsonaro, ou do Jabor, é pregar por um mundo uniforme. O que é impossível, não preciso explicar o por quê.

Estou, evidentemente, abrindo o precedente de ter leitores que discordarão de mim. Mas, para tanto, espero que eles tenham lido, refletido e chegado às próprias conclusões, e não apenas que eles tenham ignorado tudo o que disse e batido com a cabeça no teclado até sair mais um texto mimizando sobre mais algum ícone.

O PONDÉ É UMA EXCESSÃO, ESSE AÍ A ZUERA TÁ PERMITIDA
(se você não entendeu a piada, você PRECISA ler esse texto)