Às vezes a consciência insiste em nos culpar por coisas que não temos o menor controle. Atos falhos, distrações, palavras mal colocadas, escolhas equivocadas… erros inerentes à vida que não nos perdoamos a ocorrência. O eu-lírico dessa canção nos indica uma curiosa atitude – ele abdica da culpa e coloca o futuro nas mãos da única entidade capaz de realmente exercer alguma influência: o acaso.

Quem sabe algum dia a gente se vê…

Essa música é meio camaleão. A primeira vez que a ouvi, lembrei do meu irmão, sei lá por que. Acho que o jeito como o Tiziano canta o refrão me lembra o jeito abobalhado que meu irmão tem quando tá feliz, alongando os últimos fonemas e falando cantado.

Aí eu li a letra e associei diretamente à minha mãe. Essa música foi feita pra minha mãe. Minha mãe faz parte daquele grupo de pessoas que eu amo tão irremediavelmente que nem me dou ao trabalho de dizer a ela que a amo. Dizer que se ama uma mãe é quase uma ofensa – já dissemos que amamos tanta gente que não merecia! Agrupá-las com o mesmo verbo que você profere à sua mãe é um desmerecimento sem precedentes.

E aí vem uma música linda dessas que, por mais que vez ou outra cite amor, no seu decorrer consegue transmitir aquele amor verdadeiro que eu sinto pelos meus pais e pelo meu irmão. Mais do que a todos, à minha mãe. Essa música era dela.

Estava satisfeito com isso.

Mas eis que surge uma pessoa que pula de cabeça na minha vida, bate no peito e diz – essa música agora é minha. Ela exige, insiste, e por mais que eu me esforce, ela consegue. E eu percebo, por fim, que essa música não foi feita pra uma pessoa só. É tanto amor e tanta sinceridade que pode ser dividida. Um trecho pra cada uma, um sentimento diferente pra uma pessoa diferente, tudo transitando entre uma frase e outra. Longe, é claro, de dividirem a mesma importância – a primazia da minha mãe, por mais infantil e inocente que isso possa parecer, ainda supera todas as pessoas desse mundo. Juntas.

A parte mais sincera, mais verdadeira, mais pura, é pra minha mãe. A parte mais bonita, apaixonante, encantadora… essa fica pra quem quiser.

Pra ela, por enquanto.
E questo fa paura
Tanta paura!

Eu tenho a eterna impressão de que meu gosto é esquizofrenicamente diferente da maioria das pessoas. Isso se julga pelo fato de que eu consigo ver valor nas coisas muito facilmente, e quando você começa a tratar as coisas pelo valor delas, não pela imagem que você mesmo cria delas (ou importa delas pela opinião de pessoas que, de alguma forma, te influenciam), é completamente diferente. A partir do momento que nós criamos pressupostos sobre determinada obra de arte, temos a tendência a querer comprová-los e provar para nós mesmos que estávamos certos.

Quão agoniante é quando tomamos mau juízo sobre determinada música ou filme e, após ouvi-la ou vê-lo, precisamos admitir que é bom? Admitir pros outros é ruim, mas admitir pra si mesmo é pior. Essa dificuldade é justamente o que nos impulsiona a querermos invariavelmente  comprovarmos nosso preconceito.

A partir do momento em que eu consegui me despir de muitos preconceitos e comecei a procurar o valor das obras – tomando como valor a adequação da premissa inicial em que ela era proposta pelo autor à forma como ela consegue ser executada somado ao quão genial (ou não) era essa premissa -, minha capacidade de gostar das coisas tem aumentado gradativamente.

Eu ainda tenho High School Musical na minha playlist por que eu avalio a premissa inicial do filme (um musical para crianças) junto com o resultado (um bom filme pra crianças) e, por fim, a qualidade (que, convenhamos, é gigante, afinal, quase toda criança gostava e se aquela caralhada inteira de criança gostava de um musical feito para crianças, é de uma execução memorável).

Lógico: nem sempre isso vai fazer com que eu goste de alguma coisa. Eu desprezava e desprezo Rebelde, por exemplo. Aí entra uma última variável: o gosto.

Devo dizer que o gosto é a variável que deveria ser menos importante no nosso julgamento. Afinal, dizer “é bom, mas eu não gosto” é tão louvável quanto é raro. Mas, claro, essa é minha opinião.

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Esse é um dos filmes que eu acho que todo mundo (todo mundo) gostaria se tivesse a mesma visão que eu tenho das coisas. É justamente por isso que me sinto paradoxal ao comentá-lo aqui: quero que todos vejam, afinal, é foda! Pouquíssimos verão – esse blog não tem mais relevância nenhuma pra ninguém. E, por causa desses pouquíssimos que verão, não quero que ninguém veja, afinal, esses pouquíssimos provavelmente não gostarão dele.

Perante qualquer situação paradoxal – tenho uma teoria de que o paradoxo existe e está presente constantemente em nossas vidas, mas, justamente por ser paradoxal, o excluímos de nossa percepção. Mas isso é fritação pra outro dia -, tomo a atitude mais plausível: ajo por instinto e compartilho.

Vejam, 3 ou 4 leitores aleatórios que chegaram neste site procurando por algum pornô no google. Vocês me agradecerão – ou não.

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Filmow
Não tem legenda por que é nacional, dã!

já posso parar de me obrigar a por títulos.

Blog novo. Não é comédia como o NC, não é gay como o tumblr.

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Estábulo. Pra guardar o gado da cabeça.

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Fritei bastante com “Primeiros Erros” do Capital. Tenho tendência a crer que a maior parte das grandes merdas que fodem com nossa cabeça são resultado de pequenas merdas que cometemos quando éramos mais jovens. Os vícios mentais que nós adquirimos são, na verdade, resultado de um caminho errado que nos deixamos trilhar em algum momento da vida.

Como largar esses vícios? São inconscientes, então exigiriam uma atitude mais energética do que simplesmente “evitá-los”. Talvez o caminho fosse olhar para esses primeiros erros, o momento da escolha errada, e aceitá-los (“fazer parar de chover”). A gente se culpa e nem percebe.

Fez sentido pra mim.

Preciso pegar mais leve comigo.

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Prometi pra mim mesmo largar o facebook.

Me sinto uma criança de 13 anos que ia “desativar o Orkut”.

Mas tou sendo realista – só quero que dure uma semana. Sábado eu volto.

Só pra ver se ele sente falta de mim. E se eu paro de sentir falta dele.

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O sutil e o corpóreo
No eterno e transitório
Instante que se passava

Em meio ao caos sublime da explosão sensorial
Surgiu a consciência do amor impessoal

Celebrando a vida e a infinita dança universal
Ela envolve a todos a envolvem
Encontrando a vida ao deixar fluir o curso natural