Un Poco de Chocolate [2008]

Tenho essa mania de assistir aos filmes estrangeiros mais absolutamente aleatórios que consigo achar. Já passei por cinema Sérvio aos confins do alternativo alemão, passando pelos mais recentes franceses e por alguns espanhóis. Mas existe um que me agradou mais do que qualquer outro em muito tempo:

Maria e Lucas são irmãos idosos e viúvos. Lucas é daqueles velhinhos absolutamente adoráveis que vez ou outra delira e é acometido por imagens do passado – sua primeira e única paixão, Rosa, seus amigos de carpintaria, todos já mortos, os dias na praia, no barco, e situações semelhantes. María é viúva de um homem que morreu afogado, e talvez por isso ela goste tanto de passar tempo na banheira escrevendo histórias e lembrando do noivo. Também é absolutamente adorável, sempre sorridente e fraternal, como aquelas pessoas que você gostaria de adotar para si só pra tê-la por perto sempre que quiser.

Marcos está ligeiramente perturbado; saiu de casa por conflitos familiares e vagava pela cidade até que conhece Lucas e passa a acompanhá-lo em suas andanças pela cidade. Ouve suas histórias, seus conselhos e lhe faz a companhia que um velhinho adorável precisa. Até que conhece Roma, a criatura simplesmente mais absolutamente linda e impecável da face dessa Terra. Se houver uma alma gêmea nessa mundo, certamente é essa menina. Roma se junta então ao grupo e os 4 são perfeitamente adoráveis juntos.

O mais confortável e bonito nesse filme é que todos estão sempre sorrindo. Lucas às vezes lembra de estar na estação do bonde com Rosa, e ela lhe dá um beijo de despedida. Ele se pega, então, lembrando daquele beijo com o maior amor e inocência que uma pessoa pode ter. Mais tarde, pergunta a Marcos “sua namorada lhe dá todos os beijos que você quer?”, no que ele responde “sim”. “Que bom! Que bom! Rosa costuma ser econômica comigo…” e você simplesmente se vê querendo abraçar sua televisão.

O filme não tem um ápice, uma história com início, meio e fim. Ela simplesmente acontece, e você se sente perfeitamente à vontade em apenas acompanhar a história daquele velhinho tão simpático.

Imagino que dos, sei lá, 5 leitores que esse blog tem, apenas 3 chegaram ao final desse texto – os outros 2 desistiram ao ver que era falando de um filme. Vocês 2, amigos, baixem-no e hão de me agradecer.

 

Torrent
Legenda
Filmow (que comprova o que eu disse)

Hair [1979]

A vida inteira disse que Hair era meu filme preferido mas nunca tive saco pra explicar as diversas fritações que já tive com ele. Tentarei expô-las todas aqui. Mas, antes de qualquer coisa, se você não viu esse filme, faça-o agora. Pelo amor de Deus, é um favor que você faz a si mesmo. Para facilitar, eis aí o link pra download do filme e da legenda (eu mesmo upei, não liguem pro nome estranho, é do legendas.tv), e aqui tem o link pra você ir vendo as músicas pelo youtube, o que não é láaa ver o filme, mas já é alguma coisa.

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Imagem

Imagem genial dum filme genial que tive que ver pra faculdade. Não sei se dá pra ver, mas é um homem que tenta alcançar uma mulher, mas está preso a pianos, burros mortos e, como mostrado em outra cena, bispos. Fritação interessante sobre como estamos presos a coisas que nos impedem de alcançar e saciar nossos desejos. Penso que os burros podem significar o trabalho, a tração, os bispos representam a moral, a religião, e o piano é a expressão máxima de peso – quando pensamos em algo pesado, pensamos num piano. Quando o Coyote quer matar o Papaléguas, joga um piano em cima dele. Quando olhamos um piano numa sala, pensamos “como alguém conseguiu por algo tão pesado aqui?”.

Todos esses pesos, inclusive, impostos pela sociedade. Somos encarcerados pelo mundo, e deixamos nossos desejos em segundo plano sem sequer percebermos.

Mas vai entender o que o Dalí e o Buñuel tavam pensando, né.