ultimamente tenho me sensibilizado por todos os erros cometidos por descuido ou displicência. por acaso vivo um momento em que tudo transcorre perfeitamente na minha vida e há um bom tempo não sinto o desgosto de ter errado feio em algum momento de desatenção. não é lá nenhuma eternidade, mas é tempo o suficiente para que outros esquecessem a dor do julgamento e já se armassem de dedos para julgar o erro do outro. não é de hoje que me sensibilizo, aliás, com a naturalidade que as pessoas têm tido de julgar o outro. me incomoda a facilidade com que encontra-se defeito nas coisas, e me incomoda principalmente o prazer que se sente em apontá-los. de onde tiraram que apontar defeitos é algo bom ou sequer útil? se não gostamos de um artista, azar o nosso, pois é um artista a menos para fazer-nos feliz. se não gostamos de uma pessoa, azar o nosso, pois é uma pessoa a menos para nos distrair. gostaria que deixássemos as imperfeições, por descuido ou displicência, transcorrerem sua existência em sigilo.

 

Uma ferida
Para cada lembrança
Eis uma metáfora pertinente.
Meu coração, contudo
Frio tem bombeado
Para um ser tão alinhado
À constelação de escorpião.
Terá sido o enrijecer
Próprio do que se cura
Ou apenas o não esquecer
Próprio da amargura?