ultimamente tenho me sensibilizado por todos os erros cometidos por descuido ou displicência. por acaso vivo um momento em que tudo transcorre perfeitamente na minha vida e há um bom tempo não sinto o desgosto de ter errado feio em algum momento de desatenção. não é lá nenhuma eternidade, mas é tempo o suficiente para que outros esquecessem a dor do julgamento e já se armassem de dedos para julgar o erro do outro. não é de hoje que me sensibilizo, aliás, com a naturalidade que as pessoas têm tido de julgar o outro. me incomoda a facilidade com que encontra-se defeito nas coisas, e me incomoda principalmente o prazer que se sente em apontá-los. de onde tiraram que apontar defeitos é algo bom ou sequer útil? se não gostamos de um artista, azar o nosso, pois é um artista a menos para fazer-nos feliz. se não gostamos de uma pessoa, azar o nosso, pois é uma pessoa a menos para nos distrair. gostaria que deixássemos as imperfeições, por descuido ou displicência, transcorrerem sua existência em sigilo.