Desalinho

Tem dias em que estou em desalinho com o mundo.

Só retomo a sintonia quando deito pra dormir.

Como se eu virasse outra pessoa, outro cérebro pensante.

E esse cérebro tivesse PÉSSIMAS habilidades de se comunicar.

Uma coleção de arrependimentos.

Surgidos na hora de pegar no sono.

Que sono?

Piadas de tio

As roupas que nós usamos dizem mais do que deviam sobre nós.

Quem pensa a roupa, pensa como quer ser visto.

E claro que existe o fator vestir-se como se gosta, como se quer.

Mas até esse gosto é influenciado pelos mesmos parâmetros da maioria.

Então, querendo ou não, a forma de se vestir transmite mensagens.

Cada escolha diz algo sobre nós.

Que pode até não ser absoluta verdade.

Mas em algum nível é.

Por que se não diz o que somos, ao menos diz o que transmitimos ser.

E, afinal, isto é importante!

O mundo inteiro nos vê por essa transmissão.

Poucos, pouquíssimos a ultrapassam e enxergam a pessoa por trás da aparência.

O grande problema reside nas más interpretações.

E essas são as mais diversas.

Geralmente por causa de preconceitos.

Que podem até não ser absoluta verdade.

Mas, em algum nível, são.

Por que se não diz o que somos, ao menos diz o que transmitimos ser.

E, afinal, isto é importante!

Todos os preconceituosos nos veem por essa transmissão.

Então o cara que veste a camisa do Che transmite um monte de coisas.

E o cara que veste a do seu madruga transmite uma:

Piadas de tio.

Aqui do meio

Meus versos são, sobretudo,
aos incompreendidos,
que vagam, também perdidos,
entre o meio e tudo.

Quero enternecer apenas
peitos que tamborilam duvidosos,
marcados na carne, na pele, nos ossos
canções surdas dos sistemas.

Seria oportuno
conhecer as certezas
dez anos no futuro.
Do que dizem, tudo
teria de convicção apenas
o que fosse dito nos poemas.