Psicodrama

O drama desnuda a alma. Se todos os dias nos escondemos tanto em preocupações efêmeras e máscaras sociais, no drama permitimos a manifestação do verdadeiro estado de nossa alma. Gritamos o que antes fora calado e sentimos pulsar tenras paixões, vivas e desnudas após um longo encobrimento. Conhecemos a nós e aos nossos sentimentos, encontrando aí novos traços do personagem que criamos para o enredo de nossas vidas, e os traçamos com força, em total despeito às censuras e normas sociais. No drama expomos quem somos, nossas ambições e desprezos, nossas falhas e méritos. Sem paixão não há drama, tampouco se sustenta o contrário. São faces da mesma moeda, que gira eternamente sem repousar num lado. Viramos então a arte e o espectador. A construção e a obra. O processo e o resultado. No drama nos reconhecemos como emaranhados de confissões e incertezas, desesperadamente silenciadas, enrolados e embaralhados como nós. Em tempos de corações partidos, qual o seu fio nesta trama?