A consciência imediata, além de insuficiente, é enganosa. As ciências humanas (…) demonstram que não apenas estamos muito distantes da nossa verdade, como também distorcemos e desconfiguramos o que somos. Marx ensinou-nos que tendemos a projetar sobre a representação que fazemos de nós mesmos a realidade, o mundo em que vivemos, com seus preconceitos, crenças, papéis e interesses de classe, ou seja, suas ideologias. Estruturalmente narcisista – aqui entra Freud -, nosso psiquismo inclina-se a admitir que somos tal como acreditamos ser, ou melhor, tal como nossos desejos inconscientes nos representam imaginariamente.

(O Modelo Hermenêutico de Reflexão – Ricardo Jardim)

“Os homens são tão necessariamente loucos que não ser louco seria uma outra forma de loucura. Necessariamente porque o dualismo existencial torna sua situação impossível, um dilema torturante. Louco porque tudo o que o homem faz em seu mundo simbólico é procurar negar e superar sua sorte grotesca. Literalmente entrega-se a um esquecimento cego através de jogos sociais, truques psicológicos, preocupações pessoais tão distantes da realidade de sua condição que são formas de loucura — loucura assumida, loucura compartilhada, loucura disfarçada e dignificada, mas de qualquer maneira loucura.”

(Ernest Becker – A Negação da Morte)

Várias vezes me peguei pensando sobre por que eu escrevo sobre meus términos. As meninas quase sempre leem e o recebem mal. O leitor provavelmente não me leva a sério, percebe minha parcialidade. Mas é uma necessidade minha para comigo, um ritual de encerramento. Após publicado o texto, está acabado o romance. Antes dele nada era definitivo.

Eu me permito romantizar. Eu me permito tomar partido. Exagerar. Escrever, e escrever sem me preocupar com coerência, escrever de forma a que aquilo se torne mais literatura do que desabafo.

Não me leve a sério. Já basta a mim esta loucura.

Piano feelin

Minha casa sempre foi musical. Meu irmão ouvia música no quarto o dia inteiro. Desde o tempo em que levava-se uma tarde inteira pra baixar uma mp3, meu irmão passava tardes inteiras baixando mp3. Nos domingos de manhã, meus pais colocavam o rádio da sala bem alto com as músicas deles. MPB, rock nacional, clássicos. Meu irmão ouvia de tudo, era DJ da rádio da UFRJ e o maior vencedor de promoções da Rádio Cidade.

Hoje, eu ouço música o dia inteiro. E não é modo de dizer. Nos breves momentos em que meus ouvidos não estão com fones, minha mente toca sua própria canção. Mas o silêncio é aflitivo. Meu cérebro pega apenas duas estrofes e as repete incessantemente. Sempre tem uma música na minha cabeça – mas só uma, e ela nunca toca inteira.

Por isso, até mesmo quando meu cérebro não parece disposto a interpretar músicas, letras, melodias, guitarras, etc, recorro à música instrumental. Estou ficando esperto nesse negócio. Sou melancólico, como vocês bem sabem, então nada me deixa mais preenchido de emoções do que o piano de Ludovico Einaudi tocando no meu quarto à noite.

Deixo pra vocês a indicação da minha playlist de músicas instrumentais e a minha favorita:

Quotes da vida

Frases e pensamentos soltos que ouvi ou pensei esses dias:

“Fomos tão rápidos que eu já tava pensando em amor quando ela já tava pensando em outro”

“Ah, coitado. Ele tá naquela coisa de fim de namoro de vou fingir que tô bem mas todo mundo sabe que tô na merda”

“Somos completamente apaixonadas por você. Ter você por perto não foi daquelas transa rápida que se vira pro lado e dorme não, foi aquele orgasmo demorado, que você dorme satisfeita e se lembra por muito tempo.”

“Eu sou mais inteligente que você, tenho carreira e perspectivas de futuro melhores que as suas, além de ser mais bonito também, então se tem alguma coisa que eu sinto inveja de você, não é na quantidade de meninas que você ilude numa festa, mas de como você se contenta com pouco”

“Todas as vezes que tento me descrever adiciono novos traços ao personagem que criei de mim”