Hoje foi doido.

O Lucas, vocalista da Fresno, uma das maiores influências desta minha vida, meu artista favorito em diversos aspectos, postou uma foto no twitter. Nesta foto, ele bebia uma água de coco em um bar exatamente igual ao que tem em frente ao meu estágio. Em seguida, postou a localização – Pedra do Leme.

Pensei um pouco…
Pera aí…
Eu estou no estágio… E EU ESTAGIO NO LEME.

Ele estava literalmente há um quarteirão de mim. Sozinho, marcando um dez.

Levantei da mesa, falei pra minha chefe “preciso encontrar um amigo ali na praia, volto em 20 minutos”, e saí.

Comecei a andar boladamente pela rua, em meio àquela ventania de orla de praia mesclada a um fim de tarde de verão. O cenário de aventuras estava armado.

Chegando próximo, olhei e lá estava – o maluco sentado numa mureta, com um copinho, olhando pro mar.

Aproximei-me lentamente, por que ele tava de fone e olhando no celular, e cutuquei o joelho.

– Pô, posso trocar uma ideia contigo 5 minutinhos?
– Claro, galo, senta aí.
– Caraca, eu acabei de fazer uma maluquice…
– Que que tu fez?
– Saí do estágio doidão pra vir te ver.
– Que doidera, galo. Tu estagia com o que?

E aí correu a conversa.

Foram uns 10, 15 minutos, até que ele tomou seu rumo para a passagem de som do show da noite e eu voltei ao trabalho.

Foi irado.

Somewhere in Palilula (2012)

Em minhas incursões cinéfilas por filmes de países estranhos, me deparei com uma das melhores obras de arte que meus olhinhos já prestigiaram numa tela. Na Romênia, em 2012, um filme que retrata uma cidadezinha do interior em plena década de 60, ainda sob o domínio da URSS. Meio surrealista, cada personagem da trama possui sua especificidade no contexto geral da cidade de Palilula, um lugar onde “comer é capricho, beber é regra”. Nela chega Serafim, um pediatra mandado pra lá por puro acaso, uma vez que há anos não nascia uma criança. “Quando uma criança nasce, um adulto morre” é a lei de Palilula. Sem função, Serafim precisa se adaptar às excentricidades de uma sociedade que encontra no álcool o escapismo de suas vidas hostis, vazias e melancólicas (adjetivos expressos perfeitamente pela fotografia). E a trilha sonora ainda é uma graça.

Somewhere in Palilula (2012)

Info: Filmow
Download: aqui
Legendas: aqui

Essa cena é tão linda que me dei ao trabalho de tirá-la do filme e upá-la no youtube.
Primeiro material audiovisual powered by ESTÁBULO CORPORATIONS.

#07

Às vezes é difícil abandonar a lógica de relacionamentos constituída na juventude. Existem os caras que apenas tinham a manha para, na base dos instintos, tomar as atitudes necessárias para cativar as moças. Eu nunca fui das atitudes. Se faltava  atitude e não sobrava na beleza, precisava sobrar no papo. Eu via a moça bonita, estabelecia contato – e conversava e conversava e conversava. Um dia, ao acordar: é amor! Intrometia um emoticon de coração aqui, testava o terreno por ali, umas frases mais incisivas, e a moça, que em todas as vezes, (por sorte!) (ou não…), do alto de sua insensatez, embriagadas pela inocência da juventude, correspondiam.

As coisas não são mais assim. Infelizmente, eu diria – complicaram-se. Não se acorda mais apaixonado. Conversar já não basta. Exige a calma, o momento, a libido, a vontade, a segurança. O acaso. O completo e absoluto acaso.

Não há mais controle sobre os sentimentos. Outrora eu dizia isso, mas por sentir muito. Hoje sinto tampouco!

#05

Existem duas formas de transcorrer-se na vida. Uma nos leva ao melhor que poderíamos ser, através de um caminho linear e impassível. Outra nos vai perdendo pouco a pouco, pois sua única estabilidade encontra-se no que há de mais fugaz: o momento. Existem aqueles que, ao perderem-se, nunca mais desejam ser encontrados. E aqueles que tudo o que buscam é encontrar um caminho.

#06

A incapacidade de lidar com a solidão prolongada em sociedade é o maior peso que estamos fadados a carregar.