Tanto dito em silêncio (ou ‘o pensamento livre não respeita o politicamente correto’)

– Nossa!
– Ela tem olhos lindos…
– Mas não tem peito nenhum.
– Se nossos filhos tiverem meu sorriso e os olhos dela, que lindos!
– Mas se forem meus olhos e o sorriso dela, vish…
– Adoro moças morenas.
– Mas o corpo realmente não anima muito…
– Dá pra trabalhar nisso.
– Dá?
– Ela tem cara de que não é muito inteligente…
– Mas com uns olhos desses eu consigo me adaptar a conversas mais superficiais.
– E talvez ela seja inteligente!
– Inteligente com esses olhos…
– Não precisa de mais nada.
– A roupa não funcionou, né?
– Ela é sexy, estilosa.
– Allstar branco?
– É, allstar branco não dá…
– Não sei, ela tem algo…
– De bom?
– Sim.
– E de ruim?
– Também.
– O que?
– Aí eu não sei…
– Não sei?
– Ela não me deslumbra.
– Talvez seja isso que eu preciso na vida!
– Uma moça que não me deslumbre?
– Mas eu gostava tanto de me sentir deslumbrado…
– Mas nenhum deslumbre deu certo…
– Mas nenhuma que não deslumbrou também…
– Afinal, falo ou não com ela?
– Talvez devesse, ela fez sinal para um ônibus.
– Ahh, isso só pode ser um sinal do destino para não falar…
– Isso não passa de uma desculpa.
– Covarde.
– Não, eu vou, eu vou… ah, não dá mais, alá, foi embora.
– Se eu tivesse mais 5 segundos…!
– Com certeza…