uma anotação sobre não saber lidar

Eu me perguntava o por que, por que era tão fácil, todos sabiam que era fácil, eu sabia que era fácil, mas mesmo assim – mesmo assim! – eu não conseguia. Me lembrava de um exemplo de Freud acerca dos atos falhos, em que um homem estava dirigindo a caminho do próprio casamento e, quando se apercebeu, havia parado em um sinal verde. A explicação de Freud é que o inconsciente dele havia construído um simbolismo em que não proceder ao sinal verde simbolizava a incerteza entre casar-se ou não. Nosso inconsciente trabalha de formas discretas, simbólicas, e talvez essa minha dificuldade, esse impedimento, esteja sustentado em algum ato falho. Tento de todas as maneiras descobri-lo, notá-lo, lapidá-lo, pra que ciente de seus contornos eu possa saber aonde feri-lo, mas a única resolução a que chego é uma frase solta que por vezes se faz perceber na superfície do pensamento – eu não sou esse cara. Vê se pode uma coisa dessas! Não era eu que dizia, com razão, que nós somos o que queremos ser? E agora eu, que quero – e sei que posso – tanto, sou impedido por sabe-se lá o que. Talvez esteja ai o ato falho, ou talvez esteja ai a fraqueza de espírito, ou a incapacidade social, ou qualquer um desses tantos defeitos que eu sei que tenho.

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