Durante meses, um cara se dirigia todo fim de tarde à uma das extremidades do túnel St. Bárbara, que liga o Catumbi às Laranjeiras. Trajando terno e gravata, o homem dava início ao seu suplício diário por volta das 17:00 e ficava até sabe-se lá que horas no local, gritando, ininterruptamente, para que todos lessem a bíblia.

Com o calor catastrófico que assola o Rio de Janeiro 360 dias no ano (descontando os 5 dias de inverno), não precisa ser exatamente um gênio pra notar que o cara rapidamente ficava destruído – pingava de suor, perdia a voz e quase transmitia mau cheiro só pela aparência.

Depois de alguns meses, o maluco parou de ir até lá. Ao invés disso, tomou a sábia resolução de pendurar no local uma placa com os mesmos dizeres que outrora proferia – “leia a bíblia”.

E ainda há quem duvide da teoria da evolução. Agora, todas as vezes que passo por aquele local, lembro do maluco e reforço a mim mesmo, não a necessidade de ler a bíblia, mas o quanto é importante ler coisas realmente produtivas – dessa forma, o tico e o teco se acostumam a demorar  menos tempo para tomar resoluções tão óbvias.

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