Sempre nutri muito carinho por pessoas que me recebem bem em suas casas. Não digo “receber bem” no que diz respeito às etiquetas e construções sociais, pois para estas não ligo. Refiro-me às pessoas que abrem mão desses artifícios e naturalmente demonstram que querem me deixar confortável naquela casa. Isso me parece bastante plausível.

O que acontece, no entanto, é que revirava aqui algumas fotos antigas que tenho salvas no computador e me deparei com a de uma moça que há muito tempo não via; era do colégio ainda, e eu nunca fui lá muito chegado a ela. Tentei me lembrar por que não o era mas não conseguia. Pelas fotos, parecia ser simpática comigo, e algumas lembranças me relatam que ela diversas vezes tentava ser realmente amigável. Eu, na maioria das vezes, fui um escroto com ela, mas por vezes até que fui fofinho.

Por fim, me acometeu à mente a razão pela antipatia – uma lembrança de algo ainda mais antigo, quando eu ainda tinha cabelos compridos e os emos ainda eram assunto do Fantástico, na qual a mesma menina, que ia dar uma festa na casa dela, vociferou que não queria que me convidassem pois “não queria aquele emo na casa dela”. Ainda não havíamos sido apresentados, mas não era incomum para mim ouvir coisas desse tipo naquela época.

Fiquei pensando em como isso me afetou tão profundamente e, ainda assim, inconscientemente. Vá lá, eu tinha 14 anos. É compreensível entender que alguém sinta tanta simpatia por quem lhe quer confortável em sua casa. Mas tanto desprezo por uma desconhecida que disse uma besteira dessas?

Quanta amargura!

Não me canso de lembrar como era fácil odiar os outros antigamente.

Hoje queria encontrar aquela moça só pra dar-lhe um abraço.

Ok, talvez um aperto de mão.