Eu consigo definir minhas 5 músicas preferidas. O problema é que elas são 8, com duas posições divididas e uma compartilhada.

1- Fresno – Milonga
2- Tiziano Ferro – Salutandotiaffogo/Fotografie Della Tua Assenza
3- Esteban – Muda/Sinto Muito Blues
4- Coeur de Pirate – Place de la République
5- Fresno – Diga 1-2

Eu não seria o ser humano que sou hoje sem elas, decerto. Muitas não me mudaram, mas foram as trilhas sonoras perfeitas para momentos que me mudaram, agindo quase como catalisador.

(Estranho não ter Forfun, né? Mas é, não tem não…)

EDIT: No momento em que postei essa lista, olhei, olhei e percebi algo estranho. Isso não tava certo. Dois dias depois, a resposta veio do meu mp3: ESQUECI ESTEBAN. O antigo terceiro lugar estava completamente errado, não cabe na lista. Mas fica aí como bis:

Tiziano Ferro – Per Dirti Ciao/Ed Ero Contentissimo

Uma música feliz sobre a morte. Às vezes me pego ouvindo-a no ônibus, ou andando na rua, ou até na academia, e o dia já fica alguns porcentos mais feliz. É justamente naquele instante em que eu me permito constatar – pela milésima vez – como a letra dessa música é linda.

“Talvez um dia o universo me dará uma surpresa
E me levará até você
O mundo em que vivo e onde estás não tem diferença
Mesmo que eu não queira ver
O mundo gira e gritarei seu nome por milênios, e a espera
Me sufoca muito mais
Vejo que a dor vai me vencendo, que a solidão me afoga
Que teu perfume escapa lento, lento

(…)

Me falta paz dentro do peito
Sei que não posso fazer tudo
Porque sem você, a vida não me basta
Se me detenho ante essa porta
E se me animo a atravessá-la
Entenderei que então terei ido já
E voltarei para você”

Já pensei ter encontrado a mulher perfeita pra mim algumas vezes. Todas elas, hoje, seriam-me fúteis. Após os términos, mudei tanto minha mente que a mulher perfeita ganhou outros contornos. Fica claro, fica evidente – não devo buscar a mulher perfeita; devo buscar o timing perfeito. O timing de encontrar a mulher mais parecida comigo no momento em que eu seja autossuficiente para também parecer com ela. Pois de nada basta a moça parecer comigo se eu não parecer com ela – o que é totalmente plausível, uma vez que semelhanças são percebidas, muitas vezes, em silêncio.

Quase errada

É porque eu acho que você vê o nosso relacionamento de uma forma limitada, sabe, quase errada, eu diria. Digo isso ciente de que não há forma certa de amar, mas que também há formas claramente menos certas, quase erradas. Talvez você tenha presenciado diversos relacionamentos que simplesmente não deram certo e acabou desenvolvendo a arrogância de achar que é autossuficiente demais para, numa sociedade em que os padrões sociais ostentam um amor idealizado, achar que pode seguir sozinha. Schopenhauer dizia algo como “na parte monogâmica do mundo, relacionar-se significa dividir seus direitos ao meio e dobrar seus deveres”, e eu acho que deve ser muito parecido com isso que você pensa, ainda que nunca tenha se dado ao trabalho de colocar isso em palavras. Ele não é chamado de autor do pessimismo à toa, sabe? Tu vês mais o lado ruim dos relacionamentos e ignora completamente a parte principal deles: o conforto. É isso, é isso! Eu não quero ser o cara que pede satisfação ou que estraga suas noites, longe disso!, eu quero ser o cara que te remete à ideia de segurança, à noção de, nesse mundo imprevisível e impessoal, ter alguém que promete – com toda a sinceridade do mundo – que vai estar ali pra você, pra te emprestar o casaco se sentir frio, pra puxar papo num domingo vazio, ou só pra tentar com toda a cumplicidade possível ser uma pessoa presente na sua vida. Eu não quero ser o cara que você vê nos filmes, pois costumo me ocupar tentando prover um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida. Hoje tu tens tua família, teus pais, teus amigos, mas todas essas pessoas vão, um a um, desaparecendo, tu sabes. Eu sempre quis que meus relacionamentos fossem um consolo, uma mentira que ambos sabemos ser mentira mas mesmo assim nos permitimos acreditar, uma mentira que diz que estaremos lá um pro outro pra sempre, e acredito com plena e absoluta certeza que foi essa mentira que fez todos eles serem de uma intensidade inefável. Não peço que sejas recíproca, ou que pense igual à mim, nada disso. Minhas convicções são apenas minhas, e o que eu quero ser pra você não se relaciona em nada com o que eu quero que você seja pra mim, até por que eu não quero que tu seja quase nada além do que já é. Mas se preferes ver nosso relacionamento mantendo o ideal de que vais ser sempre sozinha consigo mesma e eventuais agregados, acho que não podemos continuar juntos, por que a cada vez que eu disser que te amarei pra sempre, tu me lembrarás de que aquilo não passa de blefe, loucura momentânea, mentira. E disso eu já sei; o amor eterno é uma mentira – mas a mulher que amo deve ser a última a me lembrar disso.

“Se possível, não devemos alimentar animosidade contra ninguém, mas observar bem e guardar na memória os procedimentos de cada pessoa, para então fixarmos o seu valor, pelo menos naquilo que nos concerne, regulando, assim, a nossa conduta e atitude em relação a ela, sempre convencidos da imutabilidade do caráter. Esquecer qualquer traço ruim de uma pessoa é como jogar fora dinheiro custosamente adquirido. No entanto, se seguirmos o presente conselho, estaremos a proteger-nos da confiabilidade e de amizades tolas.
“Não amar, nem odiar”, eis uma sentença que contém a metade da prudência do mundo; “nada dizer e em nada acreditar” contém a outra metade. Decerto, daremos de bom grado as costas a um mundo que torna necessárias regras como estas.”

Arthur Schopenhauer, Aforismos Para a Sabedoria de Vida.

Tem um livro do John Green (sim! eu li John Green!) chamado Cidades de Papel, que fala acerca de um cara cuja vizinha, que era toda descoladinha, decidiu fugir pra uma “Cidade de Papel”. O menino, todo apaixonadinho, começa a perseguir as pistas da menina.

Eu passei o livro inteiro – que tem umas 300 páginas – imaginando “cidade de papel” de um jeito completamente diferente do que se inspirara o autor. Se eu soubesse que ele se inspirava nisso aqui

eu teria achado MUITO. MAIS! FODA!!

Esse é o tipo de livro que PRECISA TER IMAGENS, nem que seja na última página do livro ou uma página secreta que só quem já passou por todas as outras consegue ver.

O ambiente aí da foto se trata de um distrito próximo a Zhongzeng, que fica na cidade de Keelung, no Japão. Ele começou a ser construído na década de 80, quando algumas empresas planejavam lucrar com o crescente aumento populacional. Em 1997, no entanto, a maioria das empresas foi à falência e abandonou o projeto.

Ela é, em termos curtos, uma cidade planejada que nunca foi habitada.

Não é absurdo notar como a natureza engole o distrito? São 17 anos e não só as árvores e plantas tomam conta do chão, como DE ALGUM JEITO surge mato pra TODO LADO. Os prédios são engolidos por plantas! Daqui a 500 anos (uma eternidade pra nós, nada pra Natureza), se ninguém for mexer lá, aquilo será um exemplo de ambiente em que a natureza triunfou sobre a humanidade.

Por de W.O., claro.

Mas não deixa de ser uma bela vitória.

Navio que Partes

Navio que partes para longe,
Por que é que, ao contrário dos outros,
Não fico, depois de desapareceres, com saudades de ti?
Porque quando te não vejo, deixaste de existir.
E se se tem saudades do que não existe,
Sinto-a em relação a cousa nenhuma;
Não é do navio, é de nós, que sentimos saudade.

– Fernando Pessoa, in “Poemas Inconjuntos”.