A questão é: eu costumava colocar as mulheres em um pedestal. Por quê? Talvez por que vivemos numa sociedade que divide os gêneros por atitudes; a mulher é sensível, tem sensações diferentes, tem desejos e anseios dinâmicos e mutáveis. O homem não: o homem é sempre o homem. A imagem que temos de homem é fixa; a da mulher não, é variável.

Isso é o que me disse a sociedade. Ela me disse isso quando uma mãe vive bancada por um pai, quando cavalheiro é o homem que paga o jantar e abre a porta, quando assisti Titanic e quando li Romeu e Julieta. Quando também a mulher não pode ter o mesmo ímpeto sexual de um cara, ou quando, por fim, a mulher carrega a imagem de traída, enquanto o homem, a de traidor.

“Elas, afinal, são seres diferentes. São puras, mas ardilosas. Submissas, mas complexas. Ainda assim, não sei lidar com elas.”, pensava. Não sabia mesmo. (Não sei, inclusive)

Hoje não mais as ponho num pedestal. Sei lá o que mudou, só sei que as vejo como seres humanos comuns: tão sujeitas ao desprezo como todos os demais. Também, eventualmente, sujeita à simpatia. Ainda mais se for bonita.

Afinal, me desculpem as feias – de alma, de rosto, de cérebro –, mas beleza é fundamental.

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