Gosto dos amigos
Que modelam a vida
Sem interferir muito;
Os que apenas circulam
No hálito da fala
E apõem, de leve,
Um desenho às coisas.
Mas, porque há espaços desiguais
Entre quem são
E quem eles me parecem,
O meu agrado inclina-se
Para o mais reconciliado,
Ao acordar,
Com a sua última fraqueza;
O que menos se preside à vida
E, à nossa, preside
Deixando que o consuma
O núcleo incandescente
Dum silêncio votivo
De que um fumo de incenso
Nos liberta.

(ALBA, Sebastião)

***

Sim, minha felicidade quer fazer feliz,
Toda felicidade quer ser feliz!
Querem vocês colher minhas rosas?

Terão de curvar-se e esconder-se
Entre rochas e espinhos,
E com frequência lamber os dedinhos!

Pois minha felicidade é traquinas!
Pois minha felicidade é maldosa! —
Querem mesmo colher minhas rosas?

(“Minhas Rosas”, Friedrich Wilhelm Nietzsche em “A Gaia Ciência“)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s