Lembro que com uns 7 anos eu gostava de uma tal de Geovana. Ela era da minha sala, lá na… primeira série, ou segunda. A forma como eu me relacionava com ela era muito simples: eu não me relacionava com ela.

Minha paixão se devia única e exclusivamente ao fato dela ter um jeito fofinho e um rosto não tão feio, e eu gostar de olhá-la de vez em quando. Aí eu conheci a Priscila. A Priscila, além de ser fofinha e bonitinha, ainda era animada! diferente da Geovana, que era paradinha, paradinha. Tendo em vista o grande sucesso que eu conseguira com a antecessora, adotei a mesma tática com a jovem Priscila: não fiz absolutamente nada pra me aproximar.

A paixão se tornou tão real que ela tinha até a própria música:

Eu lembro de ouvir essa porra no carro dos meus pais e me comover absurdamente, papo de ter que segurar o choro. Foi um bom dia aquele: estava no carro indo pra uma festa de aniversário de um amiguinho. Era uma boa festa, aguardada, a turma inteira ia.

Lembro que mais tarde – minha memória distante é feita em flashes abruptos – estava num túnel, desses de festa de criança, que ia dar em um tobogã que caía numa piscina de plástico. Acontece que o túnel tinha um labirinto, por que ele durava uns 3 andares (as festas de criança eram grandes antigamente, ou eu que era muito pequeno), e enquanto eu desbravava esse labirinto com um amigo highlander, encontrei com Priscila indo no caminho oposto.

Ó céus! Contato direto, aproximação! Que medo me deu de falar com a Priscila. Meu amigo, fanfarrão e, como já dito, highlander, disse “oi Priscila, tudo bem?” e Priscila deve ter falado alguma coisa sobre a amiga dela que tinha vomitado e por isso elas estavam saindo do túnel – o que foi preocupante, pois estávamos andando ajoelhados naquele túnel, e se tivesse vômito, decerto nos acarretaria problemas.

Estava tão tímido que nem consegui falar com Priscila e acabei – por acaso – mantendo a fidelidade à infalível tática: não obtive a menor aproximação com a jovem. Voltei pra casa perfeitamente satisfeito.

Eram bons aqueles tempos.

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