Eu que me aguente Comigo

Contudo, contudo
também houve gládios e flâmulas de cores
na primavera do que sonhei de mim.
Também a esperança
orvalhou os campos da minha visão involuntária,
também tive quem também me sorrisse.
Hoje estou como se esse tivesse sido outro.
Quem fui não me lembra senão como uma história apenas.
Quem serei não me interessa, como o futuro do mundo.
(…)

Vi sempre o mundo independentemente de mim.
Por trás disso estavam as minhas sensações vivíssimas,
mas isso era outro mundo.
Acima de tudo o mundo externo!
Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim.

– Fernando Pessoa

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