Eu ouvi muito aquela música naquele dia. Tinha acabado de baixá-la e era genial demais pra não ouvi-la bem alto o dia inteiro – ainda mais por que meus pais não estavam em casa e eu tinha a rara oportunidade de fazer as paredes tremerem. Eu sabia que aquele dia seria bom, que aquela noite seria espetacular, e enquanto estava deitado na cama ouvindo, pensei – eu provavelmente associarei essa música a hoje pra sempre.

Associo músicas a todas as situações, pessoas importantes e acontecimentos aleatórios – tenho desde músicas pra mina que mais gostei nessa vida até músicas pra quando eu tou passando em Bonsucesso de ônibus. O interessante é que são associações aleatórias, ou pelo menos quase aleatórias – eu nunca havia premeditado elas. Quando você ouve uma música você não imagina que, no futuro, toda e qualquer memória relativa ao instante em que você a estava ouvindo será relembrado quando você a ouvir novamente.

Eis que, nesse dia, por algum acaso, deitei na cama e pensei comigo mesmo “essa música será associada”. Não dei atenção ao pensamento, no entanto, e ele caiu no infindável abismo dos pensamentos que eventualmente chegam a ter alguma atenção mas a perdem em questão de segundos.

Ouço, agora, à música e me lembro desse pensamento – não é que eu tava certo?

O problema é que tem um detalhe não premeditado: essa repulsa ao ouvi-la.

Percebo que, naturalmente, sou um saudosista. Não apenas gosto de viver bons momentos como me pego relembrando-os constantemente, e isso faz com que ouvir essas músicas me entristeça pelo fato de o momento ter passado. Eu ouço a música da minha primeira ex, aquela lá de 2008, e fico triste. Mas, cacete! não é por eu querer tê-la de volta, é por eu sentir saudade de não mais estar naquele momento e, logicamente, nunca mais poder estar.

Naquele dia eu ouvi muito aquela música, e hoje não a ouço por me fazer lembrar de que foi bom – mas passou.

E eu queria de novo.

E de novo.

“Se os dias fossem como girassóis
e nada nos fizesse esquecer
e o mundo nos deixasse por um instante a sós
e o tempo parasse só nesse instante
O universo inteiro numa casca de noz…
(…) Mas vem feito coice,
Cabou-se o que era doce
O vento sempre leva o que trouxe,
mais dia menos dia alivia.”

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