Eu queria esclarecer para aqueles que ainda não perceberam uma coisa – eu não sou a professora Carol. (hahaha) Meu nome é Guilherme e a professora de vocês pediu pra eu substituí-la hoje. Vocês devem estar pensando “como diabos a porra desse colégio acha que eu vou aprender alguma coisa com esse mancebo que não deve nem ter terminado a faculdade de letras?” e eu queria interromper-vos logo aí para corrigir: eu não faço letras. Faço comunicação. “Ora porra, o cara é mais novo do que eu, não fez letras, e acha que vai me dar aula de português? Onde é que esse colégio acha essa gente?”. Eu também não sei. Eu juro que eu queria saber, mas não sei. A questão é que ele acha. E, por algum motivo, acreditaram que eu era apto o suficiente para estar aqui, recebendo dinheiro de vocês em troca de conhecimentos que posso prover sobre gramática. Se sou de fato apto? Aí eu não julgo dizer. Mas a primeira coisa que vocês podem aprender nessa aula é que muitas das pessoas que vocês verão na vida não são, de fato, aptas à posição em que estão. Elas, no entanto, souberam fingir com maestria o serem, e isso foi bom o suficiente para elas. Posso não ser apto a ensinar-vos gramática, mas, olhando daqui do tablado, nenhum de vocês está me convencendo de ser lá muito inteligente. Eu, por outro lado, se escrever algumas frases aqui nesse quadro e analisá-las sintaticamente posso convencê-los de que sou. Posso usar palavras difíceis, exemplos de filmes cultos, citar textos antigos, e outras milhões de artimanhas para convencer vocês de que sou inteligente. Vocês, por outro lado, tem duas opções – ou me observam embasbacados, com a boca aberta e a cabeça levemente caída para a esquerda, ou tentam fazer perguntas capciosas para testar se o tal do professor substituto é realmente inteligente. Nesse caso vocês seriam um tanto quanto babacas, por que alunos que tentam ser espertos demais acabam sendo uns babacas, mas eu as responderia com a maior naturalidade e cumplicidade possível – ainda que estivesse falando qualquer merda. Se responderia certo ou não, você só saberia se você fosse, de fato, inteligente, e não estivesse só fingindo. Nesse caso, eu o respeitaria, pois há de se respeitar pessoas que são realmente inteligentes nesses tempos de ignorância consciente e burrice justificada.

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