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Imagine um país em que a mídia transforme o encarceramento de presos políticos em um reality show e entupa suas manchetes com notícias como “Genoíno sente desconforto” e “Dirceu disciplina amigos de cela”. Não contentes em explorar tal como um BBB de baixa renda a prisão dos envolvidos no maior escândalo da política recente nacional, ainda lhes dá o direito de se pronunciar a todo o povo brasileiro – veja que semelhança! – dizendo não como eles “gostariam de ficar na casa”, mas justamente argumentando para sair de lá!

Muniz Sodré, no livro “A Comunicação do Grotesco”, explana uma tendência histórica de matérias tidas como grotescas serem chamarizes de atenção. Não é de se estranhar a existência de programas com mulheres deformadas por anabolizantes andando nuas ao lado de anões, ou de caras fantasiados, ou palhaços apresentando programas de TV, ou as chamadas do Meia Hora, ou a existência de uma pessoa como o Faustão. São esses absurdos que mantém a máquina comunicacional viva, pois são eles que, mediante a infinidade de possibilidades que o telespectador tem, o fazem pensar “mas que porra é essa?” e o fazem continuar no canal.

A tendência se repete desde o início dos meios de comunicação de massa. Cabe, portanto, à audiência deixar de ser estúpida e alimentar uma alienação dessas. Essa atitude, no entanto, me parece desesperadamente longe.

Enquanto esperamos em vão pelo dia em que a ignorância não afundará o bom senso, o Genoíno e o Dirceu seguem sendo tratados da mesma forma que o Marcelo Dourado e o Kleber Bambam foram.

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