Nós tivemos alguns problemas com as premissas, e quando se tem problemas com premissas é sempre complicado pois erra-se quatro vezes: a primeira por termos a premissa errada; a segunda por crermos que nossa premissa está certa; a terceira e a quarta por quase todos os verbos desse texto estarem na segunda do plural, o que dobra nossos erros na medida em que os erramos juntos.

Pois chegou até a ser estranho a percepção desse engano quando estava sentado numa mesa de bar, na entrada de um lugar terrível, conversando despretensiosamente com um dos meus amigos mais inteligentes e, talvez por isso, mais ocupados. Ele me disse, quase sem estranhamento algum, que não se pode ter um relacionamento enquanto você não é pleno de si.

Eis a premissa.

Há anos carrego no peito um vazio que se estende a cada decepção e anseia pelo preenchimento pela energia que emana do peito de outro alguém. Essa energia, no entanto, só pode ser canalizada plenamente para mim quando não houver mais o vazio. Preciso achar minha plenitude em mim mesmo antes de procurar ajuda em outrem.

Me desculpa, então. Fica claro, mais que claro! Fica evidente que a culpa de todas as falhas foi não só tua, como pensei, mas nossa. Minha por ser vazio, tua por não saber encher-me. E eu que acreditei, por alguns momentos, estar a ponto de transbordar de mim mesmo!

Encerro a busca por alguém. Sigo na busca por mim mesmo.

Me desculpa te envolver nessa história. É que, você sabe, você sempre foi gata demais e isso confunde as premissas de um cara confuso.

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