É meio lamentável quando uma pessoa tenta evitar uma merda e acaba fazendo mais merdas sem nem perceber. Você percebe os passos inseguros e tem vontade de dar-lhe um tapa na cara e dizer “para com isso, porra, você só tá piorando tudo”, mas a merda emana um cheiro tão nauseante que a pessoa fica cega, letárgica. Maldita impotência – ver acontecer e não poder fazer nada.

“Eu tenho uma ferida de cada lugar
em que deixei guardada a solidão.”

Cometer erros e sofrer por eles devia ser um alento. A gente devia aprender com eles, e aprender não a não repeti-los – isso talvez seja bom, mas não é o principal -, mas sim a não se entristecer quando eles ocorrerem novamente – afinal, é passageiro, tal como o fora da primeira vez.

Por que não é um alento então? Por que – ora bolas – a única coisa que eles realmente fazem é nos mostrar que estamos caindo novamente no mesmo erro e sofrer por antecipação, além de já sofrer pelo que acontecerá.

Uma vida de erros é uma vida de sofrimento antecipado.

E puta merda – não é que eu erro pra caralho?

*Eu não sei usar os por quês por que porque, que professor de português eu fui?!

O que veio primeiro: o perfeito ou o imperfeito? A imediata constatação de um automaticamente faz o outro existir também. Se existe algo perfeito, é por que existe algo imperfeito, caso contrário não faria o menor sentido classificar as coisas assim, afinal, tudo seria só perfeito ou só imperfeito. Isso é lógico. O problema mesmo é que, pela lógica, não podemos concluir qual veio primeiro, qual impulso eletrônico fez com que o primeiro neurônio do primeiro homem alcançasse tais conceitos. Aqui não podemos mais usar a lógica, mas fico satisfeito com a suposição – o conceito de perfeição certamente se originou da mente de um apaixonado. Isso é ilógico, mas é palpável. Ele podia ser um cara normal, olhando pra uma moça como eu olho pra ela, e pensando consigo mesmo – ah! Quem me dera tu fosse perfeita. Mas perfeita mesmo só será quando perceber que nós não fomos feitos para não estarmos juntos e cada instante em que insistimos nisso é um passo pra trás. O imperfeito nos cerca nesse instante. Mas ele é imperfeito e, portanto, deve se cansar alguma hora.

Aí a gente conversa.