Esse texto é a prova de que eu consigo criar personagens totalmente diferentes de mim. Queria eu ser esse cara, mas parece que não…

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Não chega a ser engraçado o número de aleatoriedades que precisaram se unir de forma quase premeditada para que hoje estivéssemos nós dois aqui nesse banco de praça? A vida, afinal, o que é ela além de um número infindável de aleatoriedades, desde o homem que descobriu o fogo até o ônibus que eu peguei e que você estava hoje mais cedo? Você percebe que se tentássemos com muito afinco nos encontrarmos naquele ônibus, naquele horário, nesta tarde, provavelmente teríamos falhado vexaminosamente? É justamente por isso que eu não consigo acreditar em destino, a vida é demasiadamente aleatória para que haja algo tão fixo e premeditado, algo tão invulneravelmente imutável, sabe, e é por isso  também que eu nunca aceitei bem o nosso término. Não, por favor, não vá embora, vamos conversar só um pouco, sinceridade, a gente gostava tanto dela e hoje em dia nossas palavras parecem tão maquiadas, tão teatralizadas! Eu não quero discutir relação, eu nunca gostei nem gostarei disso, até por que nós não temos mais relação nenhuma, você se tornou apenas um rosto conhecido dentro de um ônibus que me fez debater mentalmente se eu devia ou não fingir não ter visto. A palavra que me fez tomar a decisão foi justamente fingir, eu lembrei do nosso pacto de sinceridade, que você quebrou, eu não, e se a quebra por parte de só metade dos envolvidos já nos trouxe até esse banco melancólico de praça, imagina se eu também o tivesse quebrado, onde é que a gente não estaria? Você precisa entender que não é só por que eu não aceitei nosso término. que eu quero você de volta, sabe, por que não, eu não quero, na verdade eu tenho um problema com a palavra término. por que eu acredito que ela deveria invariavelmente vir acompanhada de um ponto final e, quando ela sai da sua boca, eu sempre ouço as reticências que você coloca em homenagem ao tal do “destino”. Não, não há nada que o destino possa fazer que nos uma novamente, nada vai ser escrito após as reticências, a menos que você queira repetir a palavra término. pra dar ênfase. Eu, pessoalmente, acho desnecessário, pois a felicidade da nossa história foi muito mais avassaladora e gritante que o término. e nem por isso nós a dissemos três, quatro vezes, então, por favor, tira essas reticências da tua boca e no lugar delas coloca um adeus.

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