Eu tenho a eterna impressão de que meu gosto é esquizofrenicamente diferente da maioria das pessoas. Isso se julga pelo fato de que eu consigo ver valor nas coisas muito facilmente, e quando você começa a tratar as coisas pelo valor delas, não pela imagem que você mesmo cria delas (ou importa delas pela opinião de pessoas que, de alguma forma, te influenciam), é completamente diferente. A partir do momento que nós criamos pressupostos sobre determinada obra de arte, temos a tendência a querer comprová-los e provar para nós mesmos que estávamos certos.

Quão agoniante é quando tomamos mau juízo sobre determinada música ou filme e, após ouvi-la ou vê-lo, precisamos admitir que é bom? Admitir pros outros é ruim, mas admitir pra si mesmo é pior. Essa dificuldade é justamente o que nos impulsiona a querermos invariavelmente  comprovarmos nosso preconceito.

A partir do momento em que eu consegui me despir de muitos preconceitos e comecei a procurar o valor das obras – tomando como valor a adequação da premissa inicial em que ela era proposta pelo autor à forma como ela consegue ser executada somado ao quão genial (ou não) era essa premissa -, minha capacidade de gostar das coisas tem aumentado gradativamente.

Eu ainda tenho High School Musical na minha playlist por que eu avalio a premissa inicial do filme (um musical para crianças) junto com o resultado (um bom filme pra crianças) e, por fim, a qualidade (que, convenhamos, é gigante, afinal, quase toda criança gostava e se aquela caralhada inteira de criança gostava de um musical feito para crianças, é de uma execução memorável).

Lógico: nem sempre isso vai fazer com que eu goste de alguma coisa. Eu desprezava e desprezo Rebelde, por exemplo. Aí entra uma última variável: o gosto.

Devo dizer que o gosto é a variável que deveria ser menos importante no nosso julgamento. Afinal, dizer “é bom, mas eu não gosto” é tão louvável quanto é raro. Mas, claro, essa é minha opinião.

***

Esse é um dos filmes que eu acho que todo mundo (todo mundo) gostaria se tivesse a mesma visão que eu tenho das coisas. É justamente por isso que me sinto paradoxal ao comentá-lo aqui: quero que todos vejam, afinal, é foda! Pouquíssimos verão – esse blog não tem mais relevância nenhuma pra ninguém. E, por causa desses pouquíssimos que verão, não quero que ninguém veja, afinal, esses pouquíssimos provavelmente não gostarão dele.

Perante qualquer situação paradoxal – tenho uma teoria de que o paradoxo existe e está presente constantemente em nossas vidas, mas, justamente por ser paradoxal, o excluímos de nossa percepção. Mas isso é fritação pra outro dia -, tomo a atitude mais plausível: ajo por instinto e compartilho.

Vejam, 3 ou 4 leitores aleatórios que chegaram neste site procurando por algum pornô no google. Vocês me agradecerão – ou não.

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Filmow
Não tem legenda por que é nacional, dã!

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