Coisa Simplesmente Aleatória

A questão do “homem que diz pra não generalizar”  é interessante.

Ela começa em resposta à frase “todo homem é um estuprador em potencial”

Aí o homem responde “pera lá, não generalize”,  a única reação possível.

Você diz a uma pessoa – vc é potencialmente um criminoso, que devia ser preso e sofrer toda espécie de retaliação, que destrói a vida de pessoas e nem mesmo a sua danação eterna será danação o suficiente.

Só pq vc é homem.

E aí o cara tem duas respostas.

“Sou mesmo, cê ta certa”

Se for essa, chame a polícia.

“Po pera lá, não generaliza”

Aí a garota vai la, faz textão no Facebook e faz chacota da expressão “não generaliza”.

Esvazia a parada de sentido.

É repetido tantas vezes, mas tantas vezes, que parece ficar permitido generalizar.

Qualquer coisa.

E aí, filho.

Todos os homens são isso, e aquilo, e aquilo.

E começa-se a criar argumentos em cima disso e a se compartilhar textos que partem dessa premissa.

E toda uma mentalidade passa a se basear nessas generalizações disparatadas.

E o discurso dos Ativistas de Facebook fica cada dia mais utópico.

Talvez nem utópico – virtual.

Não condiz com o mundo real, mas com as redes virtuais.

É que é difícil separar essas duas, né?

Por isso vira um problema.

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Piadas de tio

As roupas que nós usamos dizem mais do que deviam sobre nós.

Quem pensa a roupa, pensa como quer ser visto.

E claro que existe o fator vestir-se como se gosta, como se quer.

Mas até esse gosto é influenciado pelos mesmos parâmetros da maioria.

Então, querendo ou não, a forma de se vestir transmite mensagens.

Cada escolha diz algo sobre nós.

Que pode até não ser absoluta verdade.

Mas em algum nível é.

Por que se não diz o que somos, ao menos diz o que transmitimos ser.

E, afinal, isto é importante!

O mundo inteiro nos vê por essa transmissão.

Poucos, pouquíssimos a ultrapassam e enxergam a pessoa por trás da aparência.

O grande problema reside nas más interpretações.

E essas são as mais diversas.

Geralmente por causa de preconceitos.

Que podem até não ser absoluta verdade.

Mas, em algum nível, são.

Por que se não diz o que somos, ao menos diz o que transmitimos ser.

E, afinal, isto é importante!

Todos os preconceituosos nos veem por essa transmissão.

Então o cara que veste a camisa do Che transmite um monte de coisas.

E o cara que veste a do seu madruga transmite uma:

Piadas de tio.

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Aqui do meio

Meus versos são, sobretudo,
aos incompreendidos,
que vagam, também perdidos,
entre o meio e tudo.

Quero enternecer apenas
peitos que tamborilam duvidosos,
marcados na carne, na pele, nos ossos
canções surdas dos sistemas.

Seria oportuno
conhecer as certezas
dez anos no futuro.
Do que dizem, tudo
teria de convicção apenas
o que fosse dito nos poemas.

Fritação Qualquer

aos meus olhos tem se mostrado apenas reflexões valiosas e extremamente atuais que me fazem crer cada dia mais que o ser humano nunca deixará de ser uma ovelha no pasto

(Estou estudando Foucault e o mundo passa a fazer mais sentido agora)

(Corrigindo o que disse no Balanço de Fim de Ano)

Eu tenho a impressão de que a galera de esquerda leu, mas leu pouco de Foucault. Eles leram o suficiente para entender que o jogo de poderes se dá a partir do discurso, que as coisas se legitimam e se reproduzem a partir do discurso. Isso, somado às redes sociais, pareceu uma forma de impor um discurso “mais correto”. O problema é que, na guerra franca de discursos, o ignorante tende a vencer – ele é maioria. Por mais que as redes sociais façam textões e memes e vomitaços, quem determina o discurso vigente é, majoritariamente, as instituições que estão no poder. Essa parte do Foucault é que eles não entenderam. Não se muda o discurso na marra, como quis (e quer) fazer a esquerda – você cativa o outro a votar e eleger políticos que possuem esse discurso. Você valoriza imprensas e mídias que possuem esse discurso. Você fortalece marcas que tem esse discurso.¹ Superestimam o poder do povo e o poder das redes sociais. Somos apenas uma parcela, mísera, na constituição de valores como “correto”, “normal” e “verdadeiro”. As redes sociais, vistas pela esquerda como um meio para a revolução, nada mais fazem do que segregar e enfraquecer uma galera enraivecida. E quem dita os rumos do mundo segue sendo quem sempre ditou – os ricos, os políticos e os ignorantes.

¹ De acordo com Foucault, Verdade:

Conjunto de regras a partir das quais se distingue o verdadeiro do falso e atribui ao verdadeiro PODER.

A chancela do título “verdadeiro” legitima e empodera um discurso. Por isso, determinar O QUE é verdadeiro e o que não é se torna uma constante disputa e negociação entre as instituições do poder. Ele delineia 5 principais fatores responsáveis por determinar o verdadeiro:

1- Discurso científico e as instituições que o produzem (faculdades, revistas acadêmicas)
2- Consumo (de educação, de objetos, de empresas)
3- Grandes aparelhos políticos e econômicos (governo, empresas estatais, RI)
4- Debates políticos (nos sindicatos e faculdades)
5- Confronto social (a luta de classes)

Se analisarmos a partir dessa divisão do Foucault, o “povão”, a grande parte da população, e inclusive as redes sociais, atuaria efetivamente na produção do discurso apenas nos pontos 4 e 5. Esses, justamente, se restringem ao campo ideológico – falam de ideais, de conceitos, de coisas geralmente desapegadas da realidade. Todos os outros são restritos a uma minoria “terceirizada” (pois atuam em nome do todo) – políticos representativos, intelectuais e executivos.

Os intelectuais estão enfraquecidos. Isto por conta da pós-verdade. A única forma de balancear a equação é elegendo políticos com o discurso semelhante ao nosso. Fizemos isso com a Dilma, mas a pusemos em uma toca de lobos e ela se mostrou singularmente incapaz. Agora é preciso encontrar um novo rosto, um rosto carismático, e com um discurso mais condizente e vendável, para balancearmos a Verdade.